Israel quer atingir 100% de dessalinização em cinco anos

Israel é o líder mundial em reutilização de água, em todos os métodos.

O governo investe maciçamente em dessalinização — mais de US$ 3,5 bilhões por ano, com 39 unidades em funcionamento. Em outubro de 2013, foi inaugurada a maior delas, em Sorek, produzindo 227 bilhões de litros por ano. Atualmente, mais da metade da água potável consumida vem do mar (600 bilhões de litros por ano) e a meta é, em pouco mais de cinco anos, chegar a 100%, informou o dirigente do serviço meteorológico do país, Giora Gershtein, que participou em outubro, no Rio de Janeiro, de um evento organizado pela Embrapa.

O consumo per capita de água na região é de 140 litros por dia e as três fontes — chuva, Mar da Galileia e três aquíferos — passaram por dificuldades recentes. Com 60% do território em área de deserto, Israel é muito dependente da agricultura irrigada, com a qual precisa alimentar 8 milhões de habitantes. Quase metade da irrigação é feita com água dessalinizada.

Israel adota outras medidas para garantir a segurança hídrica. O especialista em saneamento Menahem Libhaber relatou a experiência israelense de reúso de água em um simpósio internacional realizado em 2012, em Curitiba. Segundo ele, desde 1955 a reutilização é política nacional e, com 80% de reúso da água doméstica (400 bilhões de litros por ano), o país está muito à frente de Espanha (14%), Austrália (9%) e Itália (8%), por exemplo.

Indústrias de muitos países estão conseguindo usar a água com mais eficiência. O Japão, há meio século, gastava 49 milhões de litros para produzir US$ 1 milhão em mercadorias. Hoje, o volume é inferior a 12 milhões de litros. Na Alemanha, já é comum o uso das tecnologias de filtração por membrana e tratamento anaeróbico no reúso de efluente tratado da indústria do papel e em lavanderias de cidades como ­Stuttgart, Kaiserlautern, Lingen e Eltmann. Semelhantes tecnologias são aplicadas no Brasil na cervejaria Ambev (RJ) e na fábrica de medicamentos Diosynth (SP).

De acordo com um estudo financiado pela União Europeia, a Europa e os países do Mediterrâneo estariam demorando a definir em que extensão será permitido o reúso de água devido a resistências dos legisladores e da opinião pública. Mesmo assim, existem diversos projetos em andamento por toda a Europa, de Reino Unido e França até Croácia e Letônia, passando por Espanha e a Itália.

Nos Estados Unidos, existem registros das primeiras experiências ainda na década de 1930, nas cidades californianas de San Francisco e Orange e na Flórida, estado que reutiliza 2,7 bilhões de litros de água por dia. O objetivo raramente é o de produzir água potável, mas apenas água reciclada para a abastecer a indústria ou regar os extensos gramados dos incontáveis campos de golfe nos dois estados. País conhecido por seu temperamento perdulário, a maior economia do mundo faz o mesmo em relação aos recursos hídricos: menos de 0,3% da água usada provém de reciclagem.

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