Os resultados das eleições presidenciais na Bulgária e na República da Moldávia não são um bom presságio para o Ocidente. Mas esses recentes desenvolvimentos não devem ter surpreendido os tomadores de decisão na União Europeia (UE) nem na Otan.

Passado um quarto de século do fim da Cortina de Ferro, cada vez mais pessoas no antigo bloco oriental estão decepcionadas com o Ocidente.

Muitos se veem negligenciados como europeus de segunda categoria. Os valores comuns tão enaltecidos, como a democracia, o Estado de direito e o respeito aos direitos humanos foram minados pelas velhas oligarquias, corrupção generalizada e severa crise econômica. O entusiasmo inicial pela

Europa deu lugar a uma resignação que se tornou terreno fértil para tendências populistas e nacionalistas.

Embora não se vislumbre – exceto na Moldávia – uma guinada total em direção a Moscou, a situação na Europa Central e no Sudeste Europeu é de grande efervescência. Já há algum tempo a República Tcheca, a Eslováquia e a Hungria flertam com a Rússia e seu autoritário presidente Putin.

Tais países criticaram com frequência as sanções da UE contra os russos devido à anexação da Crimeia e à guerra no leste da Ucrânia, sem se preocupar com o consenso em Bruxelas. E, assim, os líderes desses países – sejam socialistas ou liberais – sempre deixaram em aberto a opção de uma maior proximidade com Moscou.

Também os países eslavos ortodoxos dos Bálcãs ocidentais não querem se afastar do big brother em Moscou, apesar das tentativas de integração na UE. Putin habilidosamente entendeu como transformar a dependência econômica, principalmente no setor energético, em moeda política.

E com um visível sucesso: cada vez mais políticos pró-russos vencem eleições. Bruxelas não quis perceber esses desenvolvimentos e, por isso, os negligenciou. A divisão que se alastra pela Europa vai ser difícil de consertar

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