A Selic é a taxa básica da economia e serve de referência para outras taxas de juros (financiamentos) e para remunerar investimentos corrigidos por ela. Ela não representa exatamente os juros cobrados dos consumidores, que são muito mais altos.
Segundo os últimos dados divulgados pelo BC, a taxa de juros do cheque especial subiu em agosto e atingiu 321,1% ao ano, e os juros do rotativo do cartão de crédito ficaram em 475,2% ao ano.
De acordo com a Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), a redução da taxa básica de juros da economia (Selic) em 0,25 ponto percentual, como preveem alguns analistas do mercado financeiro, terá efeito pequeno nos juros do crédito ao consumidor e pode manter os fundos de renda fixa mais atraentes que a poupança.
O efeito da redução da Selic nas condições do crédito é pequeno, segundo a associação, porque "existe um deslocamento muito grande" entre a taxa básica e os juros cobrados dos consumidores.
Juros para o consumidor são mais altos
A taxa de juros do cheque especial subiu em agosto e atingiu 321,1% ao ano, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (28) pelo Banco Central.
É a taxa mais alta desde julho de 1994, quando a pesquisa começou a ser feita.
O resultado do cheque especial mostra uma alta de 2,7 pontos percentuais em relação a julho e um salto de 67,9 pontos na comparação com agosto de 2015.
Os juros do rotativo do cartão de crédito também tiveram alta e ficaram em 475,2% ao ano. Houve aumento de 3,5 pontos na comparação com julho, e um salto de 71,7 pontos em relação a agosto do ano passado. Também é a maior taxa registrada desde 2011, início da série histórica.
Os dados são referentes apenas aos juros cobrados das famílias. Esses são números médios e podem variar para cada situação específica, porque os bancos oferecem taxas diferentes de acordo com o plano contratado pelo cliente e a relação entre eles (quem tem mais dinheiro no banco paga menos taxas).
Confira a variação de outras modalidades de crédito monitoradas pelo BC:
- Cartão de crédito parcelado: de 151,4% ao ano em julho para 152,2% ao ano em agosto;
- Crédito pessoal não-consignado: de 132,2% ao ano em julho para 132,3% ao ano em agosto;
- Crédito pessoal consignado: de 29,2% ao ano em julho para 29,3% ao ano em agosto;
- Crédito renegociado: de 55,1% ao ano em julho para 53,1% ao ano em agosto;
- Compra de veículos: de 26% ao ano em julho para 26,2% ao ano em agosto;
- Compra de outros bens: de 93,5% ao ano em julho para 92,8% ao ano em agosto
- Financiamento imobiliário: de 11,3% ao ano em julho para 11,1% ao ano em agosto.
