A principal característica da administração da Junta Militar no Brasil, que governou o país de agosto a outubro de 1969, foi a manutenção e intensificação da repressão política. A Junta Militar, composta pelos ministros das Forças Armadas — General Aurélio de Lira Tavares (Exército), Almirante Augusto Rademaker (Marinha), e Brigadeiro Márcio de Sousa e Melo (Aeronáutica) — assumiu o poder após o presidente Costa e Silva sofrer um derrame cerebral. Durante este breve período, a Junta manteve o rigor repressivo do regime iniciado com o AI-5 (Ato Institucional nº 5) e continuou a política de perseguição a opositores políticos, censura à imprensa, e combate a movimentos considerados subversivos.

Grupos Políticos, Armados e Subversivos da Época:

Ação Libertadora Nacional (ALN):

Liderada por Carlos Marighella, a ALN era um dos principais grupos armados de esquerda que defendia a luta armada como meio para derrubar o regime militar. Realizou diversas ações de guerrilha urbana, como assaltos a bancos e sequestros.

Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8):

Inspirado pelo regime cubano, o MR-8 atuava principalmente em guerrilhas urbanas e sequestros, como o sequestro do embaixador dos Estados Unidos Charles Elbrick em 1969, para pressionar pela libertação de presos políticos.

Partido Comunista Brasileiro (PCB):

Embora o PCB fosse um partido tradicionalmente alinhado ao comunismo, ele preferia a luta política e sindical às ações armadas. No entanto, com o aumento da repressão, alguns de seus membros se radicalizaram e se juntaram a outros grupos guerrilheiros.

Vanguarda Popular Revolucionária (VPR):

Formada por dissidentes do PCB e liderada por Carlos Lamarca, a VPR realizava operações de guerrilha urbana e rural, além de ataques a quartéis e bancos.

Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares):

Resultado da fusão entre a VPR e o Comando de Libertação Nacional (COLINA), a VAR-Palmares foi um grupo militante que também defendia a luta armada como forma de resistência ao regime militar, realizando várias ações de sabotagem e expropriação.

Comando de Libertação Nacional (COLINA):

Menor e menos influente que outros grupos, o COLINA também engajava-se em atividades subversivas contra o governo, incluindo roubos e ações armadas.

Esses grupos emergiram em resposta ao endurecimento do regime militar e se envolveram em atividades subversivas e de guerrilha para tentar derrubar o governo autoritário. A reação da Junta Militar e do regime, em geral, foi intensificar ainda mais a repressão, com o uso de tortura, censura, e perseguições para desarticular essas organizações

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