CÂMARA DOS DEPUTADOS
DÉCADA DE 60
MUNDO
Em outubro de 1962, ocorre a Crise dos Mísseis em Cuba, considerada o auge da Guerra Fria e o momento em que mais se esteve próximo de uma terceira guerra mundial. A crise começa com a descoberta pelos Estados Unidos (EUA) de que a União Soviética (URSS) estava instalando uma base de mísseis nucleares em Cuba e se torna ainda mais tensa quando, poucos dias depois, os soviéticos derrubam um avião norte-americano que espionava a ilha socialista. Mas, prudentemente, as superpotências beligerantes logo chegam a um acordo, com a URSS se comprometendo a desmontar a base cubana e os EUA a não invadir nem apoiar uma invasão a Cuba (um precedente disso havia sido a fracassada invasão da baía dos Porcos, em abril de 1961), e também a retirar seus mísseis nucleares instalados na Turquia, país então fronteiriço à URSS.
Outra medida que se toma é o estabelecimento de uma linha direta entre a Casa Branca e o Kremlin, o lendário "telefone vermelho", com o fim de agilizar as negociações no caso de novas crises. Isso, contudo, não impede que em 1964 comece a Guerra do Vietnã, conflito cuja escalada desperta uma onda de indignação em todo o mundo.
Confrontos bélicos à parte, a pacífica disputa espacial se tornava a cada ano mais empolgante, ainda mais que a televisão já se fazia presente em milhões de lares, fazendo do mundo uma aldeia global. A URSS, que saíra na frente, é a primeira a mandar um homem (1961) e uma mulher (1963) ao espaço sideral e a ter um cosmonauta a sair da espaçonave em órbita da Terra e flutuar no vácuo (1965), sendo também pioneira em pousar uma sonda na Lua (1966) e receber imagens obtidas à sua superfície. Já os EUA são os primeiros e únicos a levar homens à órbita da Lua (1968) e depois à própria (1969).
Enquanto isso, os países coloniais europeus, com exceção de Portugal, perdem quase todas as suas colônias, surgindo no mapa mais de 30 novas nações, a maioria no continente africano, mas também no Caribe (Jamaica, Barbados), América do Sul (Guiana) e Ásia (Samoa). Na China, a Revolução Cultural (1966-1976) reacende o fervor revolucionário das massas maoístas, que passam a perseguir e punir as pessoas consideradas "burguesas reacionárias". No Oriente Médio, a Guerra dos Seis Dias (1967) aumenta a tensão entre Israel e seus vizinhos árabes. Na Tchecoslováquia, a conciliação de marxismo com liberdade individual na chamada Primavera de Praga (1968) sucumbe à invasão do país pelas tropas do Pacto de Varsóvia.
Mas o que acima de tudo faz a fama dessa época são as revoluções cultural e comportamental que aí se desenrolam, protagonizadas por uma juventude rebelde e idealista. Geração especialmente numerosa e coesa, nascida na explosão demográfica que se seguiu ao fim da Segunda Guerra Mundial, os jovens dos anos 60, sequiosos por liberdade, passam a contestar a ordem social e mundial em múltiplos aspectos, como a sexualidade, os costumes, a moral, o consumismo, as guerras. É o tempo do feminismo e de movimentos em favor dos negros e homossexuais, da liberação sexual e da propagação das drogas, do pacifismo e da contracultura (como no caso dos hippies buscando viver à margem do sistema oficial), bem como de protestos contra a Guerra do Vietnã. A onda de rebeldia culmina em 1968 com manifestações estudantis massivas em diversas partes do mundo, e continua a se desenvolver nos anos seguintes.
Entre as invenções que surgem nessa década estão a pílula anticoncepcional, o circuito integrado ou chip, o transplante de coração e a Arpanet, embrião da Internet. A informática começa a ser utilizada comercialmente, embora ainda em pequena escala, e o Tupolev Tu-144 e o Concorde, aviões de passageiros supersônicos, fazem seus primeiros vôos
