Situada no coração do centro comercial de Santos, a Bolsa Oficial de Café nem sempre ocupou o edifício que a tornou famosa.

Regulamenta a Lei nº 1416 de 14 de Julho de 1914 pelo *decreto federal Nº 2.516, DE 23 DE JULHO DE 1914, a Bolsa começou a funcionar em 1917, (atraso devido a eclosão da Primeira Guerra Mundial), como uma pequena repartição provisória em um prédio situado no Centro de Santos

Novas Instalações

Inaugurado em 7 de setembro de 1922 - no centenário da Independência do Brasil - pelo então Presidente da República Washington Luís e, no momento em que a commodity ainda era o principal produto de exportação brasileira. liderava. Afinal, o chamado ouro verde reinava no País e embalava o crescimento da Cidade e do Porto, que se tornaria o maior da América Latina.

O edifício foi construído em estilo neoclássico, com elementos renascentistas, e rapidamente se tornou um dos principais símbolos da cidade de Santos.

A construção durou dois anos e os barões do Café não economizaram. O prédio com 6 mil metros quadrados, possui quatro andares erguidos com diversos materiais importados e de primeira linha. Mas apenas dois pavimentos - o térreo e o primeiro andar - estão abertos ao público atualmente.

Durante a primeira metade do século XX, a Bolsa do Café de Santos desempenhou um papel fundamental na economia do Brasil, sendo responsável por cerca de 80% do comércio mundial de café. O edifício também se tornou um importante centro social e cultural, onde os principais cafeicultores do país se reuniam para discutir negócios e assuntos relacionados ao café.

No entanto, com o tempo, a importância da Bolsa do Café de Santos diminuiu e, em 1953, a instituição foi fechada. O edifício foi abandonado por muitos anos, até que, em 1998, foi restaurado e transformado no Museu do Café.

Hoje, o Museu do Café é uma das principais atrações turísticas de Santos, recebendo milhares de visitantes todos os anos. O museu apresenta exposições sobre a história do café no Brasil e no mundo, desde a sua origem na Etiópia até os dias atuais. Também é possível visitar as antigas salas da Bolsa do Café, que foram restauradas e mantidas em seu estado original.

Além disso, o museu oferece cursos de barismo e degustação de café, permitindo que os visitantes conheçam mais sobre a cultura do café e apreciem diferentes tipos e sabores da bebida. O Museu do Café é, portanto, um importante centro de preservação da história e da cultura cafeeira do Brasil, e um destino imperdível para os amantes de café e interessados em história.

a Visita ao Museu

A visita - que pode ser monitorada ou não - leva em torno de uma hora. Para os mais curiosos e detalhistas: as explicações dos educadores, que apresentam pitadas históricas especiais durante o passeio, valem a pena.

O tour pelo equipamento centenário começa pelo Salão do Pregão, o coração da Bolsa do Café. Era ali que ocorriam as negociações e se fechava o preço da saca diariamente.

As 70 cadeiras e mesas utilizadas pelos corretores estão preservadas, assim como o quadro onde os valores eram anotados. Todos foram confeccionados em madeira e estão entre as poucas peças criadas com material local.

Já o piso foi feito em mármore italiano, as luminárias são francesas e o relógio veio da Suíça, conta a educadora Juliana Alegre. “A decoração é toda feita em gesso e foi executada pela chamada Casa Mazzoni, uma empresa italiana”.

A ostentação sai do chão para o teto. Prepare o pescoço para admirar um imenso vitral feito pela Casa Conrado - primeiro ateliê de vitrais do Brasil, fundado pelo artesão alemão Conrado Sorgenicht, em 1889. A Casa Conrado foi a responsável por transformar a obra de Benedito Calixto, feita especialmente para a Bolsa do Café, em pinturas sobre vidro, explica Juliana. São três telas unidas, ricas em detalhes, retratando momentos distintos da história do Brasil na visão de Calixto.

“No centro, está a imagem de uma deusa que representaria a Mãe do Ouro. Ela entrega o metal para que sereias o escondessem no fundo do rio. A ideia era proteger a riqueza para que não fosse parar nas mãos dos bandeirantes. Exalta ainda a natureza, mostrando a fauna e a flora no período colonial”.

À esquerda da tela, o destaque fica para o período imperial. “Vemos o predomínio da agricultura, destacando os vários produtos que o País produzia. Temos o açúcar que na época era escrito com dois esses e Ceres, a deusa romana da agricultura”.

Já na terceira parte, a referência é a República. “Comércio e a indústria nascendo. A vinda das pessoas para os grandes centros e o Porto de Santos mais desenvolvido. Ao Centro, Deus Mercúrio - da indústria e do comércio - e uma mulher de verde amarelo, representando a Pátria”

Há ainda mais três telas de Calixto, o tríptico, retratando o crescimento e ascensão da Cidade. Tem a Fundação da Vila de Santos - 1545, resgatando o momento em que Santos deixa de ser um povoado e é elevado à condição de Vila, tendo Braz Cubas à frente.

A segunda tela retrata o Porto de Santos em 1822, com as pequenas embarcações para exportação de açúcar, poucas ruas e igrejas, as aves da fauna brasileira e os brasões do Brasil Colônia e do Império.

“A terceira apresenta o Porto de Santos um século depois, em 1922, e a gente pode perceber uma Cidade já bastante urbanizada e como o café ajudou nesse movimento. Há os armazéns. Os navios podem atracar no cais - o que não ocorria antes. E as casas se expandindo em direção à praia”, ressalta Juliana.

EXPOSIÇÕES

No primeiro módulo, no primeiro andar, o visitante vai conhecer a exposição intitulada Da Planta à Xícara, apresentando todas as etapas que o grão passa até ser degustado pelo brasileiro. Há desde mostras de pés de café plantados no País a máquinas para beneficiamento, objetos utilizados para a moagem e torrefação, até chegar a hora do produto ser embalado.

Nesse percurso, é possível se deparar com muitas curiosidades como um espaço onde são apresentados vários tipos de grãos e a classificação de acordo com graus de defeitos e impurezas. A classificação vai de 2 a 8. “O tipo 2 é o gourmet, que é o melhor café. Geralmente vai para exportação. Ele só pode ter, em uma mostra de 300 gramas, quatro pontos de defeitos ou impurezas. Já o tipo 8, mais comum no País, na mesma mostra de 300 gramas, pode ter mais de 360 pontos de defeito ou impurezas”, explica Juliana.

No segundo módulo, está a linha do tempo, contando a descoberta do café, na região da Etiópia, na África, por volta de 545 d.C, e todo o caminho percorrido por ele até chegar à América e fazer uma longa parada no Brasil, mudando os rumos da nossa história.

“O café chegou em 1727 na Guiana Francesa trazido por Francisco de Melo Palheta. Ele conseguiu mudas e veio para o Pará. Começou a plantação, mas o clima era quente e o café não se desenvolveu. Somente depois o cultivo seguiu para as regiões Sudeste e Sul”.

Para encerrar, vale dar uma espiada nos objetos que remontam à comunicação na época em que a Bolsa do Café funcionava a pleno vapor. Há aparelhos de telégrafos, telefones de vários tipos, radioamador, telex, aparelhos de fax, entre outros itens.

HORA DE SABOREAR

A Cafeteria do Museu é parada obrigatória depois de conhecer em detalhes a história de uma das bebidas preferidas do brasileiro e do produto que deu fama ao País no cenário mundial.

Localizada no andar térreo, turistas e moradores de Santos e da região podem apreciar desde o café tradicional a uma diversidade de opções que incluem cafés de várias regiões produtoras.

Há ainda edições especiais, versões geladas ou drinques, além de raridades como o Jacu Bird Coffee, feito com grãos retirados das fezes do jacu. O pássaro engole o grão inteiro. No estômago, o café absorve ácidos e enzimas que garantem baixa acidez e doçura média à bebida.

VISITAS MONITORADAS

Terças, quartas e quintas, ao meio-dia para grupos de até 10 pessoas. Não é preciso agendamento.

Grupos com número maior de visitantes devem fazer o agendamento pelo site www.museudocafe.org.br. O atendimento é às terças, quartas e quintas, às 10h, 14h e 16h. Cada turma é de, no máximo, 20 pessoas.

Aos finais de semana, as visitas monitoradas são às 10h, 11h, 15h e 16h.

O Museu do Café fica na Rua XV de Novembro, 95, Centro Histórico de Santos.

FOTOS: FRANCISCO ARRAIS / RAIMUNDO ROSA / ISABELA CARRARI / PMS

Fonte consultada , copiada , compilada e adaptada Prefeitura Municipal de Santos PMS.

DECRETO Nº 2516, DE 23 DE JULHO DE 1914

(Texto Original da Época).

Regulamenta a Lei nº 1416 de 14 de Julho de 1914, que creou a Bolsa Official de Café e a Camara Syndical de Corretora de Café, na praça de Santos.

O dr. Carlos Augusto Pereira Guimarães, Vice-Presidente do Estado de São Paulo, em exercicio, usando da attribuição que lhe confere o artigo 36 nº 2 da Constituição do Estado, manda que na execução da Lei nº 1416 de 14 de Julho de 1914, que creou a Bolsa Oficial de Café e a Camara Syndical de Corretores de Café na praça de Santos, se observe o seguinte regulamento:

CAPÍTULO I

Art. 1º A Bolsa Official de Café da praça de Santos fica sujeita á direcção da Camara Syndical de Corretores de Café.

Art. 2º Os corretores de café servirão de intermediarios ou mediadores nas operações sobre café disponível e a termo.

Parágrafo único. O numero de corretores de café é illimitado, e cada um poderá ter até tres prepostos.

Art. 3º Junto á Camara Syndical do Corretores de Café haverá:

a) uma commissão de peritos officiaes, composta de seis corretores de café, nomeados annualmente pela Camara Syndical, para fazerem as avaliações e classificações de café, e para fixarem as differenças, prejuízos o bonificações nas operações sobre café, realisadas na Bolsa;

b) um Conselho Consultivo, composto de cinco commerciantes de café, indicados annualmente pela Associação Commercial de Santos, o qual será ouvido pela Camara Syndical sobre todos os assumptos que interessem o commercio de café.

Art. 4º Os contractos de compra e venda de café a termo só serão validos quando lavrados por corretor, declarados na Bolsa e registrados em caixa de liquidação, nos termos da lei federal nº 2841 de 31 de Dezembro de 1913, artigo 77.

Art. 5º As questões oriundas das operações realisadas na Bolsa Official de Café serão obrigatoriamente, resolvidas em juizo arbitral.

CAPÍTULO II

DA CAMARA SYNDICAL DE CORRETORES DE CAFÉ

Suas funcções

Art. 6º A Camara Syndical de Corretores de Café se comporá de cinco membros, denominados syndicos.

§ 1º Quatro syndicos serão eleitos annualmente pela assembléia geral dos corretores de café o um será nomeado pelo presidente do Estado dentre os commerciantes de café da praça de Santos, tambem annualmente.

§ 2º A assembléa geral ordinaria para a eleição dos syndicos será realisada na segunda quinzena de Junho.

§ 3º O syndico que for nomeado pelo presidente do Estado será o presidente da Bolsa e da Camara Syndical.

§ 4º Os quatro membros electivos escolherão entre si o vice-presidente.

Art. 7º Serão supplentes dos syndicos, para os substituirem em seus impedimentos, os que se seguirem em votação aos eleitos.

§ 1º Em caso de igualdade de votação regulará a prioridade da matricula.

§ 2º Na falta de supplentes, a substituição será feita por outros corretores, ern ordem de antiguidade regulada pela matricula.

Art. 8º A acceitação do cargo de membro da Camara Syndical é obrigatoria, salvo impedimento por motivo de molestia ou outra causa justa, que impeça ao eleito o desempenho das suas funcções.

Parágrafo único. Os membros da Camara Syndical não são obrigados a acceitar a reeleição.

Art. 9º A posse dos membros eleitos e do presidente da Bolsa verificar-se-á no dia 1º de Julho.

Parágrafo único. Da primeira reunião dos membros eleitos e da sua posse em cada exercicio será lavrada uma acta circumstanciada, assignada por todos os presentes.

Art. 10. Na secretaria da Bolsa haverá um livro de actas das assembléas geraes, no qual serão lavradas as respectivas actas.

Art. 11. Na mesma secretaria haverá um livro destinado ao registro de presença á reunião da assembléa geral, e nenhum membro nella tomará parte sem antes haver assignado o seu nome por extenso nesse livro.

Art. 12. As actas das assembléas geraes serão assignadas pelo presidente e pelos syndicos.

Art. 13. A Camara Syndical poderá funccionar sempre que se reunirem tres de seus membros, sendo as decisões tomadas por maioria de votos.

§ 1º No caso de empate nas votações, o presidente decidirá.

§ 2º Das reuniões effectuadas se lavrarão, em livro especial, as respectivas actas, assignadas pelos membros presentes.

Art. 14. A Bolsa terá um secretario nomeado pelo seu presidente.

Art. 15. A` Camara Syndical de Corretores de Café compete:

1.º Organizar o regimento da Bolsa, submettendo-o á approvação do Governo.

2.º Fixar a cotação official das operações de café disponível e a termo, á vista das notas dos corretores.

3.º Prestar informações á Junta Commercial sobre os pedidos de matricula de corretores.

4.º Nomear a commissão de peritos de que trata o artigo 3º, lettra "a".

5.º Determinar os typos de café.

6.º Verificar o stock e organizar estatisticas.

7.º Impôr aos corretores as penas de advertencia, multa, suspensão e propor á Junta Commercial a destituição nos casos regulamentares.

8.º Fiscalizar a exacta e fiel execução das leis, regumentos e instrucções do Governo, referentes á Bolsa Official de Café e ao seu funccionamento.

9.º

RESOLVE:r, quando solicitada, as questões e divergencias entre corretores.

10. Dar seu parecer ao Governo sobre tudo quanto interessar á Bolsa o aos corretores de café.

11. Registrar os usos e costumes da praça, votando resoluções em que fiquem elles consignados, as quaes serão communicadas á Junta Commercial para os fins do artigo 47 do decreto numero 314, de 30 de Setembro de 1895.

12. Conceder licença aos corretores.

13.Determinar o exame dos livros dos corretores, nos casos em que surgirem duvidas ou questões sobre a regularidade da escripturação, sendo o exame feito pelo presidente da Bolsa

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