França em guerra
O islamismo é a segunda maior religião da França, atrás apenas do catolicismo. São seis milhões e meio de fieis: 10% da população. É o país com a maior comunidade muçulmana da Europa. Mas uma pesquisa feita no ano passado revelou que 74% dos franceses consideram o islamismo intolerante (Daesh) e incompatível com a cultura francesa.
Em 2005, uma onda de violência tomou conta do país depois que dois jovens muçulmanos acabaram mortos numa perseguição policial. Por lei, desde 2010, é proibido o uso, em público, de trajes religiosos que cubram o rosto das mulheres. Na época, o então presidente Nicolas Sarkozy chegou a dizer que o véu islâmico não era bem-vindo no país. A tensão entre a população muçulmana francesa só aumentou.
Como é ser muçulmano na França?
Marselha, a segunda maior cidade francesa, localizada no sul, na beira do Mar Mediterrâneo. Dos 850 mil habitantes, um terço segue o islamismo. É uma porta de entrada de muitos imigrantes africanos que chegam à França, vindos principalmente dos países islâmicos do norte do continente, e que há pouco mais de 50 anos ainda eram colônias francesas.
“A questão da insatisfação com a imigração está crescendo pelos problemas econômicos. Então você tem uma convergência de fatores no momento e em cima disso, um ataque terrorista. Tudo isso vai fazer com que a sociedade francesa se torne mais polarizada”, diz o cientista político Heni Ozi Cukier.
